5º Lugar - Scott Pilgrim Contra o Mundo

O diretor Edgar Wright leva ao pé da letra a expressão que "a vida é feita de fases" e conta a história(adaptada da HQ de Brian Lee O'Malley) de amadurecimento do jovem Scott Pilgrim(Michael Cera) para compreender o passado de sua nova namorada, entender seus traumas e experiências que formaram sua bagagem sentimental como se fosse um jogo de videogame onde Scott tem literalmente que vencer os "Sete Ex-Namorados do Mal"(como se fossem chefões de um game) de sua Ramona Flowers(Mary Elizabeth Winstead).
O diretor usa um estilo visual diferente de tudo que foi feito misturando todo tipo de estilo e linguagens da cultura pop como videogames, quadrinhos, sitcoms, musicais bollywoodianos e mais de um monte de outras coisas num filme divertido, inventivo e, ao contrário do que parece, numa narrativa carregada de metáforas e simbolismos.
4º Lugar - Toy Story 3

Provavelmente o filme que mais me exigiu emocionalmente esse ano, o que não é pouco para uma animação, ainda mais para uma animação que chega ao seu terceiro capítulo. O filme mostra o que aconteceu com os brinquedos de Andy depois que ele cresceu e está prestes a entrar na faculdade, o que nos dá uma dimensão de certa forma trágica dos brinquedos como criaturas fadadas ao esquecimento, mas também trás uma ode à infância e as brincadeiras de faz-de-conta(como a primeira cena nos mostra) evidenciando o quanto estas são importantes para as crianças e, ao mesmo tempo, é capaz de lembrar a nós, adultos, como é difícil crescer e abrir mão da infância numa cena tocante e poderosa na qual Andy doa seus brinquedos a uma garotinha.
Toy Story 3 é mais um triunfo da Pixar e de sua capacidade de nos fazer rir, chorar, nos divertir e nos fazer pensar.
3º Lugar - A Origem

O fato de ser um filme de grande orçamento que não é adaptação de nenhuma HQ, videogame, livro e nem um continuação de outra história(algo cada vez mais raro em Hollywood) já mostra que A Origem deve ter algum mérito, afinal, porquê os executivos de estúdio liberariam centanas de milhões por uma "marca" que ninguém conhece?
A resposta é que A Origem é um filme sensacional. A trama escrita por Christopher Nolan poderia muito bem ter saído da literatura de Philip K. Dick, que questionava as fronteiras entre imaginário e realidade nas experiências sensoriais humanos, nos mostra um grupo de ladrões especializado em invadir os sonhos de grandes executivos e extrair segredos corporativos de suas mentes, mas quando é pedido para plantar uma idéia na mente de um herdeiro(Cillian Murphy), o experiente Cobb(Leonardo DiCaprio, numa interpretação magistral) parece crer que aceitou uma missão praticamente impossível.
O filme abraça a carga simbólica que os sonhos possuem(como no momento em que chove no sonho de um determinado personagem por ele estar com vontade de ir no banheiro) emprengando ótimos recursos de edição para mostrar os personagens acordando de sucessivos e simultâneos sonhos, nos traz um elenco afiado e inspirado, umprotagonista ambíguo, literalmente perseguido pela memória de sua falecida esposa(Marion Cotillard), tentando redimir seu passado ao mesmo tempo em que tenta não perder seu senso de realidade, e ainda conta com excelentes cenas de ação. Um filme original e instiante.
2º Lugar - Ilha do Medo

Muitos críticos disseram que este Ilha do Medo é "O Iluminado" de Marin Scorsese e, de fato, o filme guarda algumas semelhanças com a obra-prima de Kubrick. Baseado no livro de Dennis Lehane(que teve outras obras como Medo da Verdade e Sobre Meninos e Lobos transposta para o cinema), o filme acompanha as investigações de Teddy(Leonardo DiCaprio, em outra atuação magistral) em um hospício na isolada Shutter Island, quando uma paciente foge de sua cela sem deixar vestígios, Teddy começa a perceber que os médicos do lugar sabem mais do que lhe disseram e protegem um grande segredo.
Utilizando toda a sua habilidade, Martin Scorsese cria um clima de tensão constante e crescente(além de belíssimas cenas, como os delírios de Teddy) que nos levam a compreender que o que há de mais assustador não são fenômenos sobrenaturais ou conspirações criminosas e sim a própria capacidade da humana de cometer atrocidades tão impensáveis que são capazes de destruir a mente do mais são dos homens e fazê-los se perderem nas mais elaboradas fantasias apensar para não reviverem em suas memórias os momentos que vivenciaram. A cena de Teddy com sua esposa no lago ao final do filme é certamente uma das imagens mais aterradoras que o cinema já produziu.
1º Lugar - Tropa de Elite 2

Polêmico, questionador, visceral e, acima de tudo, esclarecedor. Esclarecedor porque deixa claro para aqueles que acusaram José Padilha de apoiar o facismo e a brutalidade policial no primeiro filme que sua intenção era mostrar o que há de errado no cenário da segurança pública brasileira. Esclarecedor porque disseca de uma forma nunca antes feita e extremamente ampla toda a podridão dos bastidores da política(ou seria politicagem?) do nosso país.
Mas Tropa de Elite 2 não é um excelente filme meramente por sua capacidade de "pensar o país", afinal, ao contrário do que pensam as viúvas de Glauber Rocha, o cinema não tem nenhuma obrigação de produzir consciência social. Cinema é arte e, como qualquer outra manifestação artística, o cinema existe porque alguém, em algum momento quis passar uma mensagem sobre alguma coisa, seja sobre sua sociedade, sobre si mesmo, seus sentimentos ou sobre qualquer outro assunto ou tema. Sendo assim, o cinema é uma maneira, assim como pintura, escrita ou fotografia, do indivíduo exprimir uma visão particular sobre qualquer coisa. É exatamente por isso que Tropa de Elite 2 é um excelente filme.
É um excelente filme porque, para passar sua mensagem, o diretor José Padilha consegue, de forma irretocável, utilizar todos os recursos do cinema, os atores, a trilha sonora, a edição, o roteiro, a fotografia, etc; para transmitir a sua mensagem e, com cada parte sendo irretocável, o resultado é, obviamente, um filme irretócavel que passa sua mensagem de maneira brilhante e direta, que dialoga com seu público de forma clara, precisa e aprofundada e que atinge de modo certeiro as intenções de seus realizadores.
-1º Lugar - Fúria de Titãs

E chegamos, enfim, a nossa posição negativa. É imcompreensível para mim como certos diretores conseguem continuar fazendo filmes para grande estúdios e Louis Laterrier é certamente um desses diretores sua filmografia é composta por filmes que não fizeram grande sucesso financeiro ou artístico e absolutamente sem graça como Carga Explosiva 2(e olha que curti primeiro), Cão de Briga(e olha que curto Jet Li), O Incrível Hulk(e olha que eu curto quadrinhos) e esta atrocidade chamada Fúria de Titãs(e olha que curto mitologia grega).
O filme traz a história de Perseu, semideus que decide se vingar dos deuses quando sua família é assassinada pelas crias de Hades. Se o roteiro não é lá grande coisa, os personagens não ajudam a tornar o filme interessante, são figuras unidimensionais e sem qualquer personalidade, tanto que não sentimos nada conforme os coadjuvantes vão morrendo, as cenas de ação são pouco criativas e não empolgam e, consciente dessa deficiência do diretor abusa da edição supercortada para forçar esse dinamismo, mas assim como todos os recursos utilizadados pelo filme, a única sensação que o espectador consegue sentir é tédio. FIQUE LONGE DESSA MERDA!!!





